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SANEAMENTO E SAÚDE
19/12/2007
SANEAMENTO E SAÚDE
Quais são os impactos econômicos e sociais da falta de saneamento no país? O recém-lançado Instituto Trata Brasil (ITB) revela dados atuais e bastante preocupantes do setor. Os números constituem um alerta assustador.
Vejamos alguns dos principais indicadores: 53,2%, ou seja, mais da metade da população brasileira, ainda não tem acesso à rede coletora de esgoto. Na área rural, o índice é de apenas 5%. Em pontos turísticos como Búzios, RJ, e Praia Grande, SP, as taxas são de 3,58% e 0,59%, respectivamente. E quando há coleta nos municípios, o tratamento de esgoto só cobre 31,5% das residências.
O resultado, como não poderia deixar de ser, tem reflexos diretos na saúde pública. Em 2005, mais de 900 mil pessoas foram internadas em decorrência de problemas relacionados à falta ou inadequação de saneamento. Em média, 210 crianças morrem a cada mês por diarréia. O impacto é sentido também na educação: 34% da ausência de crianças de até seis anos nas escolas é creditada à falta de redes de água e esgoto.
Não investir em saneamento sai caro para o poder público. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, para cada R$ 1 aplicado em água e esgoto, o país economiza R$ 4 no orçamento de saúde. Os gastos anuais do Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento de doenças ligadas à falta de higiene chegam a R$ 300 milhões.
Para acabar de vez com o problema, o Brasil teria de investir R$ 11 bilhões por ano nos próximos 20 anos, totalizando R$ 220 bilhões no período. O valor é quase seis vezes maior do que os R$ 40 bilhões prometidos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo. De quebra, cada R$ 1 milhão investido em obras de esgoto gera 30 empregos diretos e 20 indiretos.
Além da escassez de verbas, falta eficiência ao setor de infra-estrutura. Nos últimos cinco anos, a Caixa Econômica Federal liberou R$ 6 bilhões para saneamento, mas somente R$ 2 bilhões foram aplicados. “Um dos motivos para a carência de obras é a falta de projetos”, afirma Luiz Fernando Felli, presidente do TrataBrasil. Por isso, segundo ele, entre as ações do instituto está a consultoria para elaboração e desenvolvimento de projetos de saneamento, acompanhamento e liberação e recursos. A entidade conta com o apoio de empresas como Braskem e Solvay Indupa, da área química, da farmacêutica Medley, das fabricantes de tubos e conexões Tigre e Amanco e de entidades como Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes). A iniciativa é importante e sintonizada com uma bandeira que tende a ganhar cada vez mais força em todo o mundo: a ONU acaba de escolher 2008 como o Ano Internacional do Saneamento Básico.
Fonte: SINICESP
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